Levando o Amor de Deus ao Mundo

Levando o Amor de Deus ao Mundo
Tudo por um mundo de amor santo

domingo, 31 de março de 2019

O mundo que nos rodeia foi dado por Deus para usufruto não para o domínio do homem. Em primeiro lugar, para sustentar sua vida corporal. O decreto divino na manhã da criação é explícito: “Crescei e multiplicai-vos e subjugai a terra” (Gn 1,28).



DESTINO DO HOMEM
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1. O mundo que nos rodeia foi dado por Deus para
usufruto não para o domínio do homem. Em primeiro lugar,
para sustentar sua vida corporal. O decreto divino na
manhã da criação é explícito: “Crescei e multiplicai-vos e
subjugai a terra” (Gn 1,28).
Os anjos não participam dessa finalidade do mundo
material porque são seres incorpóreos, enquanto que as
demais criaturas são o caminho necessário para o homem
chegar ao conhecimento de Deus. O homem depende do
mundo corporal (material) em sua atividade intelectual.
2. O progresso cultural: arte, literatura, técnica, ciência,
tudo isso faz parte do plano divino, desde que esteja
a serviço do bem estar da humanidade e subordinado ao
seu destino eterno. “Deus colocou o mundo ao dispor dos
homens” (Ecl 3,11).
Os valores culturais não são suficientes para servirem
como fim último mesmo em um mundo que não tivesse
um destino sobrenatural. Deus é e fica sempre sendo o
termo absoluto assim como, perante o sol, todas as estrelas
desaparecem.
3. Mas a suprema felicidade do ser “homem”, seu último
fim é: conhecer a Deus e dar-lhe glória. É a mais singular
de nossas tarefas. “Deus nos criou para servirmos
de louvor à sua glória” (Ef 1,12).
O homem está única e exclusivamente orientado para
a glória de Deus. Da parte de Deus, isso não é um egoísmo
antropomorfo, é lógico. “Deus busca sua glória, não
por causa de si mas por nossa causa”, diz a Summa Theologica,
II-II 132, 1,1. E Sto. Agostinho: “Por Ele ser bom é
que nós existimos: Quia bonus est, sumus”.
Louvar a plenitude absoluta da verdade, da bondade,
da beleza, é racional. Ora, Deus é bem absoluto e a
beleza suprema. Ele só pode louvar a quem merece, i.é.,
a si próprio, o Ser Absoluto. É lógico. Igual atitude impõese
à criatura: prestar homenagem, louvor e glória a quem
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merece, a quem de direito. É conseqüência metafísica.
“Toda criatura é de Deus. Algum dia, amanhã ou depois,
terá que estar diante dele e de joelhos” (F. W. Faber)
4. Na ordem natural, o homem participa da natureza
divina de um modo remoto. É imagem de Deus enquanto
é dotado de inteligência e de amor.
Na ordem sobrenatural, a participação atinge um
grau muito superior. Sendo a natureza humana, em sua
substância, elevada a uma participação da natureza divina,
o foi ao ponto de tornar-nos, de um modo real, filhos
de Deus, à semelhança do Filho Unigênito. Recebeu assim
o homem capacidades superiores, um destino bem
mais elevado: o de amar com um amor eterno o bem supremo
que pode existir. Dom gratuito que ultrapassa todos
os recursos da criatura. Toda a humanidade foi criada
para mergulhar na visão beatífica da Divindade, para viver,
ver e amar como o próprio Deus; para ser submergida
na plenitude do Ser. Como retribuir tão grande condescendência,
tão grande amor?
5. A teologia distingue entre glória objetiva e glória
subjetiva. A glória objetiva é a perfeição que os seres refletem
em sua natureza. Quanto mais perfeitos, tanto
maior a glória do criador. Um santo glorifica mais a Deus
do que um cristão medíocre. O Cântico do Sol, de São
Francisco, é a expressão amorosa dessa glória objetiva
de Deus.
A glória subjetiva completa-a, embora não seja indispensável.
Não consta entre os teólogos que Deus não
pudesse criar um mundo composto somente de seres irracionais,
sem os seres racionais, capazes de apreciar a
grandeza das obras divinas.
A escritura encarrega o homem dessa tarefa com
esta belas palavras: “Deus colocou uma luz em suas almas
(nos olhos dos homens) a fim de lhes mostrar a
grandeza de suas obras... para que louvassem seu santo
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nome e publicassem a magnificência de suas obras” (Ecl
17,8ss).
É assim o homem, porta-voz, intérprete da natureza.
As flores desenrolam suas pétalas coloridas implorando
com esta linguagem muda ao homem para que louve a
Deus. Os passarinhos chilreiam desde o amanhecer, como
que entusiasmado o homem a louvar o criador. Foi
nesse sentido que um eremita bateu nas flores com seu
bastão, dizendo: “Calem-se! Já sei o que querem... que
eu louve a Deus em nome de vocês”.
Por maior que seja, entretanto, a glória que a natureza
irracional tribute a Deus é inconsciente, instintiva,
forçada. A criatura irracional é instrumento que não pode
deixar de glorificar o seu autor.
O astro flamejante que traça com vertiginosa rapidez
sua fabulosa trajetória, não sabe o que faz. Não tem
consciência de suas qualidades de pregoeiro da sabedoria
e do poder divinos: obedece cegamente às leis da gravitação.
Desfiando suas plangentes notas à hora do crepúsculo,
o sabiá segue a instintiva inspiração do pequeno
peito. Ignora, porém, que está celebrando a bondade e
real munificência do Pai Celeste.
6. Rugindo pelas estepes siberianas ou pelas florestas
amazônicas, o furacão não sabe que canta a marcha
triunfal daquele que “caminha sobre as asas do vento;
que faz dos vendavais seus mensageiros e dos raios de
fogo os seus ministros” (Sl 103,4).
A Deus, porém, é devida a vassalagem livre e racional.
E quem lhe presta essa homenagem consciente e
voluntária, essa glorificação formal, são, no céu, os anjos;
na terra, a criatura que “pouco abaixo dos anjos foi colocada”
(Sl. 8,8), o homem. O homem, que é capaz de conhecer
e amar. “O homem deve suprir a deficiência da
criatura irracional, servindo-se dela como de escada para
subir até Deus... Assim, o homem não é só o rei da cria25
ção; é também o seu profeta, o seu intérprete; é o sumo
sacerdote que oferece, racionalmente, o preito irracional
das outras criaturas” (H. ROHDEN, Donde para onde, 1934,
pgs. 109-111).
6. Desde a Encarnação é Cristo-homem o fim de toda
a criação, segundo Cl 1,15. O restante da humanidade
adquire o beneplácito e o agrado de Deus na medida em
que participa de Cristo (Rm 8,29).
O mundo é palco, campo, arena do Cristo místico.
Deus quis rematar a criação da humanidade pelo Deus
Encarnado. Deus permitiu o pecado original para dar a
seu Filho predileto mais um título de honra: cruz e redenção.
“Deu-lhe um nome acima de todo nome” (Fl 2,9).
Jesus Cristo, Homem, em toda a vastidão do mundo,
entre todos os anjos e criaturas racionais, é a criatura
mais amada por Deus.

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