Medjugorje e as almas do purgatório
Queridos filhos ! Hoje desejo convidá-los a orar todos os dias pelas almas do purgatório. Para todas as almas é necessária a oração e a graça, para chegarem a Deus e ao Amor de Deus. Com isso, também vocês, queridos filhos, recebem novos intercessores, que os ajudarão na vida, a compreender que as coisas da Terra não são importantes para vocês; Que só o Céu é a meta para a qual vocês devem encaminhar-se. Por isso, queridos filhos, rezem sem descanso, a fim de que vocês possam ajudar a si mesmos e também aos outros, para os quais as orações trarão a alegria. Obrigada por terem correspondido a meu apelo (6/11/86)
Nesta mensagem, Nossa Senhora vem nos lembrar a importância das nossas orações pelas almas dos nossos irmãos que se encontram no purgatório. Essa devoção faz parte da tradição e da doutrina da Igreja Católica. Quando rezamos o credo dizemos, "creio na comunhão dos santos", esta comunhão é exatamente esta troca de oração entre nós, igreja militante e as igrejas purgante e triunfante.
Para aprofundarmos este assunto colocaremos agora uma parte de um texto tirado do livro "O maravilhoso segredo das almas do purgatório" - Editrice Shalom (Ancona). Este livro foi elaborado e escrito por Irmã Emmanuel da comunidade das bem-aventuranças residente em Medjugorje. Este livro já foi vendido milhões de cópias em todo o mundo e é uma entrevista importantíssima feita a Maria Simma, uma senhora austríaca, que desde sua infância foi incumbida por Deus de uma bela missão, rezar e dialogar com as almas do purgatório. Tudo isto de acordo com a doutrina da Igreja Católica subordinada ao seu diretor espiritual e ao bispo local. Segue abaixo o texto:
APRESENTAÇÃO DA ENTREVISTA
“As almas do purgatório me disseram... “
Uma alma mística ainda viva, que hoje tem 81 anos, chamada Maria Simma de Sonntag, nasceu na Áustria em 1915. Alma religiosa e mística foi favorecida de um carisma não muito raro na história da Igreja e das almas eleitas. Esta pobre senhora que estivera em três conventos onde passou um período de tempo, passou muito tempo ignorada segundo os planos de Deus e encontrou, pouco a pouco, sob a guia do seu Diretor espiritual, Pe. Alfonso Matt, a estrada da sua verdadeira vocação: o apostolado em favor das almas do purgatório e o seu testemunho não pode deixar de nos convencer. Maria Simma, há mais de 50 anos, é visitada pelas almas do purgatório. E que coisas dizem essas almas? Dão advertências e notícias, pedem sufrágio e falam do sofrimento que elas passam no purgatório (mesmo esperando alegremente encontrar-se cedo ou tarde no abraço de Deus); revelam aos vivos a imensa possibilidade que esses têm de aliviar o sofrimentos dos defuntos e de receberem em troca inumeráveis benefícios e ajuda para esta vida e a outra. O testemunho de Maria Simma tem como objetivo nos fazer refletir sobre os “novíssimos” (realidades futuras que nos aguarda após a morte) e quem sabe poderá ajudar-nos a mudar os nossos hábitos e começarmos a viver de uma maneira diferente, segundo a vontade de Deus. Sabemos que são muitos os canais que Deus se utiliza hoje para falar ao mundo, aos seus filhos, para ajudá-los em suas necessidades espirituais. Aproveitemos esta leitura e nos deixemos iluminar pelo Espírito Santo que age e fala através de seus eleitos.
Pe. Matteo La Grua
COMO E PORQUE ESTA ENTREVISTA
Há algum tempo tive a ocasião de ler com grande interesse um livro sobre as almas do purgatório. Fiquei muito comovida porque falava de testemunhos recentíssimos no qual explica muito bem a doutrina da Igreja sobre tal assunto.
Trata-se de um livro de Maria Simma, uma alma mística austríaca de título: “As almas do purgatório me disseram ...”
Escrevi subitamente à editora que me respondeu que Maria Simma ainda é viva.
Entrei em contato com ela. E ela aceitou encontrar-se comigo e responder às minhas numerosas perguntas.
Estava radiante de alegria, porque todas as vezes em que eu tinha ocasião de falar na Igreja ou em qualquer conferência sobre as almas do purgatório, havia sempre constatado o interesse imenso e incrível da parte dos meus ouvintes. Esses, muitas vezes me pediram para continuar a falar e, se eu resolvia acabar, insistiam dizendo: “conta-nos ainda qualquer coisa sobre estas almas”. Via bem que isto correspondia a um desejo muito vivo e de uma sede de saber que coisa acontece a todos nós depois da morte. Preciso dizer que estas coisas não são mais ensinadas nas paróquias, na catequese dominical, nas salas paroquiais; praticamente quase não se fala. Se bem que existe uma ignorância difundida sobre tal assunto, e também uma certa angústia frente a ouvir aquilo que são as realidades ultra-terrenas. O presente livro tem o objetivo não só de ajudar a colocar à parte tal angústia, que não tem motivo de existir no que diz respeito ao purgatório, mas, também, espero esclarecer e fazer compreender que na realidade o projeto de Deus sobre nós é verdadeiramente um projeto magnífico, esplêndido, verdadeiramente entusiasmante; e agora, nós temos nas nossas mãos um poder imenso sobre esta terra: o poder de dar a felicidade às almas dos nossos defuntos; como também, o poder de encontrarmos, nós mesmos, esta felicidade na nossa vida individual.
QUEM É MARIA SIMMA
Maria Simma tem hoje 84 anos e vive só na sua casa de Sontag, uma bela cidade nas montanhas de Vorarlberg, na Áustria, foi lá que eu a encontrei.
Quem é então Maria Simma?
Uma simples camponesa que desde a sua infância reza muito pelas almas do purgatório. Na idade de 25 anos recebeu de Deus um carisma muito particular na Igreja e também muito raro: o carisma de ser visitada pelas almas do purgatório. É uma católica fervorosa e também de uma grande humildade que me comoveu, de uma extrema simplicidade. Neste seu apostolado foi muito encorajada pelo seu pároco e também pelo seu Bispo, como veremos mais adiante. Mesmo com o aspecto extraordinário do seu carisma, ela vive pobremente, propriamente na indigência. Por exemplo, no lugar onde ela me acolheu (era eu a intérprete), tinha apenas um espaço para girar em torno da cadeira que ela havia me oferecido...
Carisma extraordinário? Sim, mas que na realidade tem as suas raízes na História da Igreja; de fato são numerosos os santos (canonizados ou não) que exercitaram este carisma. Citarei, por exemplo, Santa Gertrudes, Santa Catarina de Gênova, que escreveu muito a esse respeito, Maria Ana de Jesus, Santa Margarida Maria de Paray-le-Monial, que teve a visão do sagrado coração, o Santo Cura D’Ars, São João Bosco, a bem-aventurada Miriam di Bethleem, Natuzza Evolo da Pavarati, Don Giuseppe Tomaselli, e outros... poderia-se escrever um livro sobre este assunto. Mas quando nos firmamos nos ensinamentos destes santos, vemos bem que todos eles dizem propriamente a mesma coisa. Maria Simma, da sua parte faz reviver na realidade o belo testemunho de todos eles. Eis porque eu não hesitei em interrogá-la, dado que ela teve sorte de viver no nosso tempo. E assim é palpável. Eu poderia então pensar por que não poderia “enchê-la” de perguntas? O problema é que ela não fala nenhuma palavra em francês e por isto tive que servir-me de uma intérprete.
Para não estender muito este livro, em parte referir-me-ei eu mesma, resumindo, as respostas de Maria Simma, em parte reproduzirei a tradução de suas palavras.
Ajuntarei aqui e ali os meus comentários pessoais.
Ir. Emmanuel Maillard
PARTE 1
ENTREVISTA A MARIA SIMMA
Uma vocação especial
Emmanuel: Maria , poderia nos falar alguma coisa da tua infância e da tua vocação?
Ir. Emmanuel: Como nasceu em ti o amor pelas almas do Purgatório?
Maria: As almas do Purgatório são almas de pessoas que já morreram, mas que ainda não foram para o céu. São chamadas também de santas almas ou almas eleitas, termo biblicamente mais correto do que pobres almas, também, se de qualquer modo, definimos "pobres" , é correto, porque depende cem por cento de nós: os pobres dependem completamente uns dos outros.
Minha mãe Maria; Minha mãe teve sempre uma atenção toda particular pelas almas do Purgatório e eu também, desde os primeiros anos de escola, fazia muito por elas. Mais tarde decidi que por elas eu faria qualquer coisa, assim quando terminei a escola pensei: " Bem, irei para o convento, talvez Deus queira isso de mim". Assim, aos 17 anos entrei para o convento do Sagrado Coração de Jesus em Tirolo, mas em apenas seis meses me disseram: " para ser sincera, tu és muito delicada de saúde para estar conosco". Veja só, há oito anos tive uma pleurite e pulmonite e por isso era ainda delicado. Depois de um ano portanto deveria ir-me. Mas a madre superiora na hora de despedir-se disse-me: " estou segura que tu és chamada à vida religiosa. Porém, penso que deves esperar alguns anos até que tu se recupere da tua saúde , e depois tu poderás procurar uma ordem religiosa menos severa, talvez uma de clausura". Depois desse dia eu disse a mim mesma: " ou clausura ou nada. Não, não quero esperar, quero ir logo".
O segundo convento que fiz experiência foi os das Domenicanas de Thalbech vizinho a Bregenz. Depois, apenas passados oito dias me disseram: "tu és muito frágil fisicamente para nós, não podes ficar". Retornei para casa. Depois de algum tempo ouvi falar das irmãs missionárias. E pensei: " a missão, é isso que eu desejo! Agora entendo porque as outras duas ordens não haviam me preenchido". Assim pedi para ser admitida no instituto das Irmãs Franciscanas de Gossau, na Suíça. " sim podes vir". Esta foi a resposta.
Ao entrar nesse Instituto deveria dizer que já havia estado em outras duas ordens e que eu fora rejeitada. O resultado foi que como sempre me deram os trabalhos mais duros para desenvolver. As outras candidatas me diziam: "porque faz tudo sozinha? Nós nos recusaríamos". " Estais vendo!". Respondi. "o Senhor me ajudará, está bem assim? Farei tudo aquilo que pedirem". Depois um dia, as irmãs me disseram: "hoje tu podes ficar aqui e fazer um trabalho menos fadigoso". Então pensei: " isto significa que devo sair ou que viram que posso fá-lo!". Mas quando vi a mestra das candidatas descer a escada olhando-me com compaixão, então compreendi imediatamente: " Oh! Oh! devo retornar à casa!" De fato, se aproximou de mim e disse: " devo falar-te". " sim, eu sei, devo ir embora não é verdade? ". "Mas quem te falou? ". "Oh! Eu entendi olhando-a". "Sim, és muito delicada para nós".
Finalmente compreendi: se não posso estar ali, não poderei estar em nenum outro convento, porque não era, evidentemente, a vontade de Deus. Devo dizer que naquele momento a minha alma começou a sofrer muito. Era impaciente e dizia à Deus: "será tua culpa ó Deus, se não fizer a tua vontade!". Não sabia porém, que não devia cobrar este milagre de Deus. Era ainda muito jovem . Desejava muitas vezes que Deus me mostrasse o que ele queria que eu fizesse, mas não era capaz de entedê-lo. Esperava, ou melhor, queria sempre encontrar alguma coisa escrita à mão.
rezava muito por elas, dedicava à elas muitas ações que fazia com amor, guardando-as sempre no coração. Dizia muitas vezes a nós crianças, que se precisássemos de qualquer ajuda, deveríamos pedir as almas do Purgatório, porque são elas que te ajudam, por terem por nós um profundo sentimento de gratidão. Minha mãe era muito devota de São João Vianney, o conhecido Curad'Ares e ia freqüentemente a ARS em peregrinação. Sou quase certa que minha mãe também, de qualquer modo encontrava-se com as almas do Purgatório, mesmo que nunca tenha dito para nós seus filhos.
E assim, quando iniciou-se minhas experiência no ano de 1940, compreendi logo que era isto que Deus queria de mim. A primeira veio até mim, quando tinha 25 anos. Até aquele momento o Senhor havia feito-me esperar.
Ir Emmanuel: Tu dissestes: "a primeira alma veio à mim". Ela veio à tua casa?
Maria: Sim, e assim continuou a acontecer daquela data em diante. Na verdade. em 1940, quando teve início esses fenômenos, até 1953 vinha somente duas ou três almas ao ano, e um pouco mais no mês de novembro ( mês dedicado às almas do Purgatório). Neste ano trabalhava em casa com as crianças, também trabalhei como doméstica em uma propriedade rural na Alemanha e sucessivamente em uma cidade aqui vizinho. Durante o ano mariano de 1954, todas as noites começaram a me aparecer diversas almas.
Devo admitir, que por isto, sou bastante grata a Deus, que com este empenho a minha saúde teve uma grande melhora, mesmo se aqui e acolá tenho uma recaída. Muitas vezes agradeço o Senhor por não Ter permitido que eu entrasse num convento! Deus dá sempre o que precisamos para fazer a sua vontade.
Há diversos anos viajo e tenho conferências. Uma senhora é que organiza e me leva em seu carro. Me telefona e me diz: "está bem para ti nesse ou naquele dia, nesta ou naquela cidade? ". A primeira vez, para dizer a verdade, fiquei confusa e não pude ir, porque havia um compromisso com uma pessoa que viria aqui no mesmo dia em que eu havia marcado a conferência. Esta conferência foi muito bem aceita de uma maneira parcial, mas tive alguns problemas com sacerdotes de impostação moderna. Os cristãos de uma certa idade e os sacerdotes mais antigos crêem em tudo aquilo que digo.
Ir. Emmanuel: Pensas que sejas a única a ter esta experiência?
Maria: Eu sempre desejei doar a minha vida ao Senhor, e a oração se tornou muito importante; eu rezo muito e faço muitas outras coisas pelas almas do Purgatório. Eu também fiz um voto a Nossa Senhora para ser uma alma que se oferece de um modo particular pelas almas. Sim, seguramente tudo tem uma razão.
Ir. Emmanuel: Que estudos fizestes?
Maria: Eu terminei a escola obrigatória, aquela pedida pelas leis da época. Nós éramos pobres.
Ir. Emmanuel: Quantos anos tinhas quando deixastes a escola?
Maria: Me deixe pensar. Tinha onze anos, não doze. Sim, agora me recordo muito bem. Quando deixei definitivamente de ir à escola tinha doze anos.
Ir. Emmanuel: Como era composta a tua família?
Maria: Eu sou a Segunda de oito filhos, o que não nos permitia de continuar a estudar depois dos estudos elementares. Me recordo que muitas vezes o nosso almoço e a nossa janta consistia só em pão e uma simples sopa.
Ir. Emmanuel: Maria, tu podes nos contar como foste visitada pela primeira vez pelas almas do purgatório?
Maria: Sim, foi em 1940 de noite, das 03 às 04 horas da madrugada. Ouvi alguém andando no meu quarto. Isto me fez acordar. Olhei para ver quem poderia ter entrado.
Ir. Emmanuel: Tiveste medo?
Maria: Não, eu não sou por nada medrosa. Quando era pequena, minha mãe dizia que eu era uma criança particular, porque jamais senti medo.
Ir. Emmanuel: E então naquela noite? Conte-nos!
Maria: Oh, vi que era um estranho. Andava lentamente. Perguntei-lhe com tom severo: Como entraste aqui? Que coisa perdeste? Mas ele continuava a caminhar como se nada tivesse escutado. Então eu lhe perguntei de novo: “Que fazes tu?!...”. Mas como ele continuava a não me responder, me levantei de um salto para segurá-lo, e toquei no nada... o homem havia desaparecido... Então tornei à cama e de novo comecei a senti-lo andando. Perguntava-me por que via aquele homem, e por que não podia tocá-lo. Outra vez me levantei para segurá-lo e para fazê-lo parar de caminhar. Outra vez esbarrei no nada. Fiquei perplexa e tornei à cama. Ele não tornou novamente, mas naquela noite não consegui mais dormir. Pela manhã, depois da missa, fui encontrar-me com meu Diretor Espiritual e contei-lhe o que me acontecera. Ele me disse: “Se tudo acontecer uma outra vez, não perguntes: quem és. Mas pergunte, que coisa queres e desejas?”
Na noite seguinte o homem retornou.
Era o mesmo da noite passada, e eu lhe perguntei: “Que coisa queres de mim? “.
Ele me respondeu: “Manda celebrar três missas por mim e eu serei libertado”. Então compreendi que era uma alma do purgatório.
O meu Diretor Espiritual me confirmou.
Aconselhou-me a não rejeitar as almas do purgatório, mas de acolher com generosidade aos seus pedidos.
Ir. Emmanuel: E depois as visitas continuaram?
Maria: Sim, por alguns anos vinham três ou quatro almas, sobretudo no mês de novembro e em seguida vieram mais e mais.
Ir. Emmanuel:Que coisa te pedem essas almas?
Maria: Muitas vezes me pedem para celebrar missa por elas e a assisti-las; pedem para rezar o Santo Rosário e também a Via-Sacra em suas intenções.
QUE COISA É O PURGATÓRIO
Sobre este ponto nos fazemos uma pergunta, a pergunta fundamental: Que coisa é exatamente o purgatório?
Posso dizer que é uma invenção genial da parte de Deus. E aqui eu queria propor-vos uma imagem que vem a mim.
Suponhamos que um dia se abra uma porta e que apareça um ser extraordinariamente belo, de uma beleza tal que não haveis jamais visto sobre a terra. Ficaríeis fascinados, atônitos por esse ser de luz e de beleza, tanto mais que Ele demonstra ser totalmente enamorado de vós (coisa que não haveis mais imaginado); Lembrai-vos, também, que Ele tem um grande desejo de atrair-vos a si, de abraçar-vos; e o fogo do amor que queima já no vosso coração vos faz certamente precipitar-vos entre os seus braços. Mas eis que vos dai conta, neste momento, que não sois lavados há meses, que tendes um mal cheiro, que vos sentis horrivelmente feios; tendes os cabelos em desalinho, horríveis manchas sobre os vossos vestidos etc ... etc... Então vós mesmos direis: “Não, não é possível que eu me apresente neste estado! É preciso que eu primeiro vá me lavar, tome um banho e depois tornarei a vê-lo! ... “.
Mas eis que o amor que nasceu nos vossos corações é tão intenso, tão forte, tão ardente, que essa demora devido ao banho é absolutamente insuportável, e a mesma essência da dor, também dura só por poucos minutos, é um ardor atroz no coração. E certamente esse ardor é proporcional à intensidade da revelação do amor: é uma chama de amor...
O purgatório é exatamente isto. É um retardamento imposto às nossas, imperfeições, uma demora antes do abraço de Deus, uma chama de amor que faz sofrer terrivelmente; uma espera, uma nostalgia de Deus e do seu amor. É precisamente esta chama de amor que queima e purifica tudo aquilo que é impuro em nós. Ousaria dizer que o purgatório é um lugar de desejo, desejo de Deus. Na prática o purgatório é uma grande crise, uma crise que nasce da falta de Deus.
Mas sobre isto eu pedi a Maria para ser precisa neste ponto fundamental:
Ir. Emmanuel: Maria, as almas do purgatório experimentam alegria e esperança em meio aos seus sofrimentos?
Maria: Sim, nenhuma alma quer voltar do purgatório para a terra, porque essas já têm o conhecimento de Deus infinitamente superior ao nosso e não querem mais retornar às trevas deste mundo.
Eis, então, a grande diferença entre o sofrimento do purgatório e o da terra: no purgatório, também, se a dor da alma é terrível, a certeza que se tem de viver com Deus é assim tão forte e incontrolável que a alegria desta certeza ultrapassa a dor; e por nada no mundo aquelas almas desejam tornar a viver sobre a terra onde, no fim das contas não se tem mais segurança de nada.
Ir. Emmanuel: Maria, agora tu poderias nos dizer se é Deus quem manda uma alma ao purgatório ou se, ao invés, são elas mesmas que decidem ir para lá?
Maria: São elas mesmas que decidem ir para purgatório para se purificarem antes de entrar no paraíso.
Mas aqui é preciso dizer que as almas que se encontram no purgatório aderem perfeitamente a vontade de Deus; por exemplo; se compadecem e desejam o nosso bem; sentem muito amor por Deus e por nós, que ainda estamos sobre a terra. Estas almas estão perfeitamente unidas ao Espírito de Deus, ou se desejam a luz de Deus.
Ir. Emmanuel: Maria, no momento da morte se vê Deus em plena luz ou de maneira confusa?
Maria: Ainda de uma maneira confusa, mas mesmo assim é com tanta clareza que basta certamente para sentir saudades de Deus.
Certo, é uma luz resplandecente, em confronto com as trevas deste mundo; mas é no purgatório, onde a alma tem a luz do conhecimento do céu. Do resto, a tal respeito, podemos fazer uma reflexão com a experiência de que se fala o livro – A vida, outra vida: para muitas daquelas pessoas que, de um estado de pré-morte (pré-coma, ataque cardíaco e outros), viram qualquer coisa do outro lado, e ficaram fascinados por aquela luz, era uma verdadeira agonia retornar à comum existência sobre a terra, depois daquela experiência.
NOSSA SENHORA E O PURGATÓRIO
Ir. Emmanuel: Maria, podes nos dizer qual o papel de Nossa Senhora com respeito às almas do purgatório?
Maria: Sim, Ela vem, muitas vezes, consolar as almas, dizendo que elas fizeram bem tantas coisas e as encoraja.
Ir. Emmanuel: Existem dias particulares nos quais Nossa Senhora liberta essas almas?
Maria: Sim, sobretudo nos dias de Natal, dia de Todos os Santos, às sextas-feiras santas e também na festa da Assunção e da Ascensão de Jesus.
PORQUE O PURGATÓRIO
Ir. Emmanuel: Maria, por que se vai ao purgatório? Quais são os pecados que fazem com que as almas vão para lá com mais freqüência?
Maria: São os pecados contra a caridade, contra o amor ao próximo, a dureza de coração, a hostilidade, a calúnia, sim, todas essas coisas... porém, a maledicência e a calúnia são as mais graves, que necessitam de uma longa purificação.
Maria, a tal propósito, nos conta um exemplo que lhe tocou muito, e é um testemunho que vos quero recontar. Trata-se de um homem e de uma mulher dos quais a família havia pedido informações, se estavam no purgatório.
Para grande alegria daqueles que haviam pedido, a mulher já estava no paraíso e o homem no purgatório. Mas, na realidade, aquela mulher morrera depois de haver feito um aborto, e o homem andava muito na Igreja e levava uma vida com aparência digna e piedosa. Os dois morreram coincidentemente, contemporaneamente, porém, a mulher havia se arrependido sinceramente de tudo o que havia feito, ela fora muito humilde e o homem, ao contrário, mesmo sendo muito religioso, criticava tudo e todos, estava sempre a lamentar-se , e a falar mal das pessoas e criticá-las. Eis porque o seu purgatório foi muito longo. Por isso eu concluí: “não devemos julgar segundo as aparências”. Outros pecados contra a caridade são certamente todas as nossas repulsas por certas pessoas que não amamos, nossa resistência em fazer as pazes, a falta de perdão e todos os rancores que guardamos no coração.
Maria nos revelou um testemunho que nos faz refletir. É a história de uma pessoa que ela conhecia muito bem. Esta pessoa morreu. Era uma mulher e se encontrava no purgatório mais terrível, com sofrimentos verdadeiramente terríveis. E quando esta veio a Maria Simma, Maria lhe perguntou o porquê; e esta alma lhe disse: “foi porque eu tive uma amiga, sim, uma amiga com a qual tinha uma inimizade muito grande; e esta inimizade foi causada por ela mesma e ela conservou este rancor por anos e anos; e quando a sua amiga vinha pedir para fazer as pazes com ela, reconciliar-se, todas as vezes ela negou; e quando caiu gravemente doente, continuou com o coração fechado, negando reconciliar-se com a sua amiga; e no leito da morte aquela sua amiga veio suplicar-lhe para fazer as pazes, mas também sobre o leito da morte ela havia negado. E eis o motivo por que agora se encontrava no purgatório extremamente doloroso e por isto veio a pedir ajuda a Maria Simma. Este testemunho é muito significativo sobre a gravidade de guardar rancor. Devemos guardar as palavras, não criticar, não dizer palavras malévolas que podem verdadeiramente matar, ao contrário de uma palavra boa que pode curar.
COMO EVITAR O PURGATÓRIO
Ir. Emmanuel: Maria, pode-nos dizer quais são aquelas que têm maior possibilidade de ir ao paraíso?
Maria: São aquelas que têm o coração bom. Um coração bom para com todos. A caridade cobre uma multidão de pecados. Sim, é São Paulo quem nos diz.
Ir. Emmanuela: E quais são os meios que nós podemos ter aqui na terra para evitar o purgatório e ir diretamente ao céu?
Maria: Devemos fazer muito pelas almas do purgatório, porque são essas que nos ajudam sempre. É preciso ter muita humildade. É esta a maior arma contra o malígno. A humildade elimina o mal.
Sobre este ponto não resisto ao desejo de contar-lhes um belíssimo testemunho do Padre Berlioux (que escreveu um maravilhoso livro sobre as almas do purgatório); e ele nos fala da ajuda oferecida por essas almas àqueles que as ajudam com suas orações e sacrifícios; ”uma pessoa particularmente amiga das almas do purgatório havia consagrado a própria vida em sufrágio das mesmas, e chegando a hora da morte, ela foi assaltada com furor pelo demônio e esse queria fazer-lhe medo. Era como se todo o inferno estivesse encolerizado contra ela e a circundasse com a sua corte infernal. Essa pobre alma lutava há muito tempo com um esforço muito penoso, querendo livrar-se da presença do maligno, quando, de repente viu entrar em seu apartamento uma multidão de pessoas desconhecidas, mas resplandecentes de beleza, colocando em fuga o demônio e chegando vizinho ao seu leito, lhe disseram palavras de encorajamento e de consolo todo celestial. Emitindo um profundo suspiro e plena de alegria, gritou: quem são vocês que estão me fazendo tanto bem? E aqueles bons visitantes responderam: - nós somos habitantes do céu que com a tua ajuda fomos conduzidos às bem-aventuranças, e por gratidão e reconhecimento viemos te ajudar a desapegar-te desse lugar de angústia e te introduzir na alegria da Cidade Santa. Com estas palavras, um sorriso resplandeceu no rosto da moribunda. Os seus olhos se fecharam e ela adormeceu na paz do Senhor. A sua alma, pura como uma pomba, apresentou-se ao Senhor dos senhores, encontrou tantos protetores e advogados que ela havia libertado com suas orações e sacrifícios. No céu, entrou triunfante entre aplausos e bênçãos de todos aqueles a quem havia libertado do purgatório. Possamos nós um dia termos esta graça! Sabemos agora que estas almas libertadas do purgatório através de nossa oração são extremamente reconhecidas e gratas. Eu vos aconselho vivamente a fazerem esta experiência e estes vos ajudarão, pois conhecem os nossos desejos e nos obtêm muitas graças.
Ir. Emmanuel: Agora, Maria, lembro-me do bom ladrão, justo aquele que estava junto a Jesus na cruz, e gostaria muito de saber que coisa fez ele para que Jesus lhe prometesse que naquele mesmo dia estaria com ele no paraíso?
Maria: Ele aceitou humildemente o seu sofrimento dizendo que era justo e encorajou o outro ladrão a aceitar também. Ele tinha o temor a Deus, isto é, tinha humildade.
Um outro belo exemplo contado por Maria Simma demonstra como um gesto de bondade pode resgatar, em pouquíssimo tempo uma vida de pecado.
Escutemos as próprias palavras de Maria:
" Sim, conheci um jovem que tinha vinte anos. Habitava um lugarejo vizinho ao meu. Este lugar foi duramente castigado por avalanches que mataram um grande número de pessoas. Uma tarde quando esse jovem se encontrava na casa de seus pais, aconteceu que, inesperadamente, veio um desabamento terrível vizinho à sua casa. Ele ouvindo gritos de desespero e terror que clamavam por socorro e ajuda, ele se levantou e foi prestar ajuda àquelas pessoas. Mas eis que sua mãe, que ouvira também os gritos, quis impedi-lo de passar. E fechando a porta da casa, disse: “Não! Os outros irão socorrê-los, não nós! É muito perigoso aí fora. Não quero que seja um morto a mais”. Mas o jovem, comovido pelos gritos daquela gente e querendo socorrê-los, disse à sua mãe: “sim, eu vou! Não quero deixá-los morrer assim!” E saiu. Mas eis que ele também, ao sair, foi soterrado pela avalanche e morreu. Dois dias depois de sua morte, ele veio visitar-me durante a noite e disse-me: “Manda celebrar três missas por mim e serei libertado do purgatório.” Alguns de seus amigos disseram que não queriam ser ele no momento da morte, pois esse jovem havia cometido muitas coisas ruins. Mas aquele jovem, em seguida, me declarou: “Eu fiz um grande ato de amor colocando em risco a minha vida por aquelas pessoas e foi graças a isso que o Senhor me acolheu assim tão depressa no céu, sim, a caridade cobre multidão de pecados”.
Neste episódio se vê como um só ato de amor desinteressado foi suficiente para purificar este jovem de uma vida vivida no pecado; e o Senhor aproveitou este momento de amor para chamá-lo a si. Maria, de fato, nos disse que se esse jovem jamais na sua vida tivesse ocasião de fazer um ato de amor assim tão forte, talvez tivesse se tornado um homem malvado. E o Senhor, na sua infinita misericórdia, o chamou a si exatamente no melhor momento, no momento mais puro por causa daquele ato de amor.
É muito importante, quando se está à beira da morte, abandonar-se à vontade do Senhor.
Maria também nos conta um caso muito belo de uma mãe de quatro filhos que estava para morrer. Em vez de se revoltar e de se inquietar, ela disse ao Senhor: “Eu aceito a morte no momento em que Tu a queiras e coloco a minha vida em Tuas mãos. Entrego-te os meus filhos e sei que Tu, Senhor, tomarás conta deles”. E Maria nos diz que pelo motivo dessa imensa confiança em Deus, aquela mulher foi diretamente ao céu sem passar pelo purgatório. Podemos dizer que o amor, a humildade, e o abandono em Deus são as três chaves de ouro que nos fazem entrar diretamente no paraíso.
Queridos filhos ! Hoje desejo convidá-los a orar todos os dias pelas almas do purgatório. Para todas as almas é necessária a oração e a graça, para chegarem a Deus e ao Amor de Deus. Com isso, também vocês, queridos filhos, recebem novos intercessores, que os ajudarão na vida, a compreender que as coisas da Terra não são importantes para vocês; Que só o Céu é a meta para a qual vocês devem encaminhar-se. Por isso, queridos filhos, rezem sem descanso, a fim de que vocês possam ajudar a si mesmos e também aos outros, para os quais as orações trarão a alegria. Obrigada por terem correspondido a meu apelo (6/11/86)
Nesta mensagem, Nossa Senhora vem nos lembrar a importância das nossas orações pelas almas dos nossos irmãos que se encontram no purgatório. Essa devoção faz parte da tradição e da doutrina da Igreja Católica. Quando rezamos o credo dizemos, "creio na comunhão dos santos", esta comunhão é exatamente esta troca de oração entre nós, igreja militante e as igrejas purgante e triunfante.
Para aprofundarmos este assunto colocaremos agora uma parte de um texto tirado do livro "O maravilhoso segredo das almas do purgatório" - Editrice Shalom (Ancona). Este livro foi elaborado e escrito por Irmã Emmanuel da comunidade das bem-aventuranças residente em Medjugorje. Este livro já foi vendido milhões de cópias em todo o mundo e é uma entrevista importantíssima feita a Maria Simma, uma senhora austríaca, que desde sua infância foi incumbida por Deus de uma bela missão, rezar e dialogar com as almas do purgatório. Tudo isto de acordo com a doutrina da Igreja Católica subordinada ao seu diretor espiritual e ao bispo local. Segue abaixo o texto:
APRESENTAÇÃO DA ENTREVISTA
“As almas do purgatório me disseram... “
Uma alma mística ainda viva, que hoje tem 81 anos, chamada Maria Simma de Sonntag, nasceu na Áustria em 1915. Alma religiosa e mística foi favorecida de um carisma não muito raro na história da Igreja e das almas eleitas. Esta pobre senhora que estivera em três conventos onde passou um período de tempo, passou muito tempo ignorada segundo os planos de Deus e encontrou, pouco a pouco, sob a guia do seu Diretor espiritual, Pe. Alfonso Matt, a estrada da sua verdadeira vocação: o apostolado em favor das almas do purgatório e o seu testemunho não pode deixar de nos convencer. Maria Simma, há mais de 50 anos, é visitada pelas almas do purgatório. E que coisas dizem essas almas? Dão advertências e notícias, pedem sufrágio e falam do sofrimento que elas passam no purgatório (mesmo esperando alegremente encontrar-se cedo ou tarde no abraço de Deus); revelam aos vivos a imensa possibilidade que esses têm de aliviar o sofrimentos dos defuntos e de receberem em troca inumeráveis benefícios e ajuda para esta vida e a outra. O testemunho de Maria Simma tem como objetivo nos fazer refletir sobre os “novíssimos” (realidades futuras que nos aguarda após a morte) e quem sabe poderá ajudar-nos a mudar os nossos hábitos e começarmos a viver de uma maneira diferente, segundo a vontade de Deus. Sabemos que são muitos os canais que Deus se utiliza hoje para falar ao mundo, aos seus filhos, para ajudá-los em suas necessidades espirituais. Aproveitemos esta leitura e nos deixemos iluminar pelo Espírito Santo que age e fala através de seus eleitos.
Pe. Matteo La Grua
COMO E PORQUE ESTA ENTREVISTA
Há algum tempo tive a ocasião de ler com grande interesse um livro sobre as almas do purgatório. Fiquei muito comovida porque falava de testemunhos recentíssimos no qual explica muito bem a doutrina da Igreja sobre tal assunto.
Trata-se de um livro de Maria Simma, uma alma mística austríaca de título: “As almas do purgatório me disseram ...”
Escrevi subitamente à editora que me respondeu que Maria Simma ainda é viva.
Entrei em contato com ela. E ela aceitou encontrar-se comigo e responder às minhas numerosas perguntas.
Estava radiante de alegria, porque todas as vezes em que eu tinha ocasião de falar na Igreja ou em qualquer conferência sobre as almas do purgatório, havia sempre constatado o interesse imenso e incrível da parte dos meus ouvintes. Esses, muitas vezes me pediram para continuar a falar e, se eu resolvia acabar, insistiam dizendo: “conta-nos ainda qualquer coisa sobre estas almas”. Via bem que isto correspondia a um desejo muito vivo e de uma sede de saber que coisa acontece a todos nós depois da morte. Preciso dizer que estas coisas não são mais ensinadas nas paróquias, na catequese dominical, nas salas paroquiais; praticamente quase não se fala. Se bem que existe uma ignorância difundida sobre tal assunto, e também uma certa angústia frente a ouvir aquilo que são as realidades ultra-terrenas. O presente livro tem o objetivo não só de ajudar a colocar à parte tal angústia, que não tem motivo de existir no que diz respeito ao purgatório, mas, também, espero esclarecer e fazer compreender que na realidade o projeto de Deus sobre nós é verdadeiramente um projeto magnífico, esplêndido, verdadeiramente entusiasmante; e agora, nós temos nas nossas mãos um poder imenso sobre esta terra: o poder de dar a felicidade às almas dos nossos defuntos; como também, o poder de encontrarmos, nós mesmos, esta felicidade na nossa vida individual.
QUEM É MARIA SIMMA
Maria Simma tem hoje 84 anos e vive só na sua casa de Sontag, uma bela cidade nas montanhas de Vorarlberg, na Áustria, foi lá que eu a encontrei.
Quem é então Maria Simma?
Uma simples camponesa que desde a sua infância reza muito pelas almas do purgatório. Na idade de 25 anos recebeu de Deus um carisma muito particular na Igreja e também muito raro: o carisma de ser visitada pelas almas do purgatório. É uma católica fervorosa e também de uma grande humildade que me comoveu, de uma extrema simplicidade. Neste seu apostolado foi muito encorajada pelo seu pároco e também pelo seu Bispo, como veremos mais adiante. Mesmo com o aspecto extraordinário do seu carisma, ela vive pobremente, propriamente na indigência. Por exemplo, no lugar onde ela me acolheu (era eu a intérprete), tinha apenas um espaço para girar em torno da cadeira que ela havia me oferecido...
Carisma extraordinário? Sim, mas que na realidade tem as suas raízes na História da Igreja; de fato são numerosos os santos (canonizados ou não) que exercitaram este carisma. Citarei, por exemplo, Santa Gertrudes, Santa Catarina de Gênova, que escreveu muito a esse respeito, Maria Ana de Jesus, Santa Margarida Maria de Paray-le-Monial, que teve a visão do sagrado coração, o Santo Cura D’Ars, São João Bosco, a bem-aventurada Miriam di Bethleem, Natuzza Evolo da Pavarati, Don Giuseppe Tomaselli, e outros... poderia-se escrever um livro sobre este assunto. Mas quando nos firmamos nos ensinamentos destes santos, vemos bem que todos eles dizem propriamente a mesma coisa. Maria Simma, da sua parte faz reviver na realidade o belo testemunho de todos eles. Eis porque eu não hesitei em interrogá-la, dado que ela teve sorte de viver no nosso tempo. E assim é palpável. Eu poderia então pensar por que não poderia “enchê-la” de perguntas? O problema é que ela não fala nenhuma palavra em francês e por isto tive que servir-me de uma intérprete.
Para não estender muito este livro, em parte referir-me-ei eu mesma, resumindo, as respostas de Maria Simma, em parte reproduzirei a tradução de suas palavras.
Ajuntarei aqui e ali os meus comentários pessoais.
Ir. Emmanuel Maillard
PARTE 1
ENTREVISTA A MARIA SIMMA
Uma vocação especial
Emmanuel: Maria , poderia nos falar alguma coisa da tua infância e da tua vocação?
Ir. Emmanuel: Como nasceu em ti o amor pelas almas do Purgatório?
Maria: As almas do Purgatório são almas de pessoas que já morreram, mas que ainda não foram para o céu. São chamadas também de santas almas ou almas eleitas, termo biblicamente mais correto do que pobres almas, também, se de qualquer modo, definimos "pobres" , é correto, porque depende cem por cento de nós: os pobres dependem completamente uns dos outros.
Minha mãe Maria; Minha mãe teve sempre uma atenção toda particular pelas almas do Purgatório e eu também, desde os primeiros anos de escola, fazia muito por elas. Mais tarde decidi que por elas eu faria qualquer coisa, assim quando terminei a escola pensei: " Bem, irei para o convento, talvez Deus queira isso de mim". Assim, aos 17 anos entrei para o convento do Sagrado Coração de Jesus em Tirolo, mas em apenas seis meses me disseram: " para ser sincera, tu és muito delicada de saúde para estar conosco". Veja só, há oito anos tive uma pleurite e pulmonite e por isso era ainda delicado. Depois de um ano portanto deveria ir-me. Mas a madre superiora na hora de despedir-se disse-me: " estou segura que tu és chamada à vida religiosa. Porém, penso que deves esperar alguns anos até que tu se recupere da tua saúde , e depois tu poderás procurar uma ordem religiosa menos severa, talvez uma de clausura". Depois desse dia eu disse a mim mesma: " ou clausura ou nada. Não, não quero esperar, quero ir logo".
O segundo convento que fiz experiência foi os das Domenicanas de Thalbech vizinho a Bregenz. Depois, apenas passados oito dias me disseram: "tu és muito frágil fisicamente para nós, não podes ficar". Retornei para casa. Depois de algum tempo ouvi falar das irmãs missionárias. E pensei: " a missão, é isso que eu desejo! Agora entendo porque as outras duas ordens não haviam me preenchido". Assim pedi para ser admitida no instituto das Irmãs Franciscanas de Gossau, na Suíça. " sim podes vir". Esta foi a resposta.
Ao entrar nesse Instituto deveria dizer que já havia estado em outras duas ordens e que eu fora rejeitada. O resultado foi que como sempre me deram os trabalhos mais duros para desenvolver. As outras candidatas me diziam: "porque faz tudo sozinha? Nós nos recusaríamos". " Estais vendo!". Respondi. "o Senhor me ajudará, está bem assim? Farei tudo aquilo que pedirem". Depois um dia, as irmãs me disseram: "hoje tu podes ficar aqui e fazer um trabalho menos fadigoso". Então pensei: " isto significa que devo sair ou que viram que posso fá-lo!". Mas quando vi a mestra das candidatas descer a escada olhando-me com compaixão, então compreendi imediatamente: " Oh! Oh! devo retornar à casa!" De fato, se aproximou de mim e disse: " devo falar-te". " sim, eu sei, devo ir embora não é verdade? ". "Mas quem te falou? ". "Oh! Eu entendi olhando-a". "Sim, és muito delicada para nós".
Finalmente compreendi: se não posso estar ali, não poderei estar em nenum outro convento, porque não era, evidentemente, a vontade de Deus. Devo dizer que naquele momento a minha alma começou a sofrer muito. Era impaciente e dizia à Deus: "será tua culpa ó Deus, se não fizer a tua vontade!". Não sabia porém, que não devia cobrar este milagre de Deus. Era ainda muito jovem . Desejava muitas vezes que Deus me mostrasse o que ele queria que eu fizesse, mas não era capaz de entedê-lo. Esperava, ou melhor, queria sempre encontrar alguma coisa escrita à mão.
rezava muito por elas, dedicava à elas muitas ações que fazia com amor, guardando-as sempre no coração. Dizia muitas vezes a nós crianças, que se precisássemos de qualquer ajuda, deveríamos pedir as almas do Purgatório, porque são elas que te ajudam, por terem por nós um profundo sentimento de gratidão. Minha mãe era muito devota de São João Vianney, o conhecido Curad'Ares e ia freqüentemente a ARS em peregrinação. Sou quase certa que minha mãe também, de qualquer modo encontrava-se com as almas do Purgatório, mesmo que nunca tenha dito para nós seus filhos.
E assim, quando iniciou-se minhas experiência no ano de 1940, compreendi logo que era isto que Deus queria de mim. A primeira veio até mim, quando tinha 25 anos. Até aquele momento o Senhor havia feito-me esperar.
Ir Emmanuel: Tu dissestes: "a primeira alma veio à mim". Ela veio à tua casa?
Maria: Sim, e assim continuou a acontecer daquela data em diante. Na verdade. em 1940, quando teve início esses fenômenos, até 1953 vinha somente duas ou três almas ao ano, e um pouco mais no mês de novembro ( mês dedicado às almas do Purgatório). Neste ano trabalhava em casa com as crianças, também trabalhei como doméstica em uma propriedade rural na Alemanha e sucessivamente em uma cidade aqui vizinho. Durante o ano mariano de 1954, todas as noites começaram a me aparecer diversas almas.
Devo admitir, que por isto, sou bastante grata a Deus, que com este empenho a minha saúde teve uma grande melhora, mesmo se aqui e acolá tenho uma recaída. Muitas vezes agradeço o Senhor por não Ter permitido que eu entrasse num convento! Deus dá sempre o que precisamos para fazer a sua vontade.
Há diversos anos viajo e tenho conferências. Uma senhora é que organiza e me leva em seu carro. Me telefona e me diz: "está bem para ti nesse ou naquele dia, nesta ou naquela cidade? ". A primeira vez, para dizer a verdade, fiquei confusa e não pude ir, porque havia um compromisso com uma pessoa que viria aqui no mesmo dia em que eu havia marcado a conferência. Esta conferência foi muito bem aceita de uma maneira parcial, mas tive alguns problemas com sacerdotes de impostação moderna. Os cristãos de uma certa idade e os sacerdotes mais antigos crêem em tudo aquilo que digo.
Ir. Emmanuel: Pensas que sejas a única a ter esta experiência?
Maria: Eu sempre desejei doar a minha vida ao Senhor, e a oração se tornou muito importante; eu rezo muito e faço muitas outras coisas pelas almas do Purgatório. Eu também fiz um voto a Nossa Senhora para ser uma alma que se oferece de um modo particular pelas almas. Sim, seguramente tudo tem uma razão.
Ir. Emmanuel: Que estudos fizestes?
Maria: Eu terminei a escola obrigatória, aquela pedida pelas leis da época. Nós éramos pobres.
Ir. Emmanuel: Quantos anos tinhas quando deixastes a escola?
Maria: Me deixe pensar. Tinha onze anos, não doze. Sim, agora me recordo muito bem. Quando deixei definitivamente de ir à escola tinha doze anos.
Ir. Emmanuel: Como era composta a tua família?
Maria: Eu sou a Segunda de oito filhos, o que não nos permitia de continuar a estudar depois dos estudos elementares. Me recordo que muitas vezes o nosso almoço e a nossa janta consistia só em pão e uma simples sopa.
Ir. Emmanuel: Maria, tu podes nos contar como foste visitada pela primeira vez pelas almas do purgatório?
Maria: Sim, foi em 1940 de noite, das 03 às 04 horas da madrugada. Ouvi alguém andando no meu quarto. Isto me fez acordar. Olhei para ver quem poderia ter entrado.
Ir. Emmanuel: Tiveste medo?
Maria: Não, eu não sou por nada medrosa. Quando era pequena, minha mãe dizia que eu era uma criança particular, porque jamais senti medo.
Ir. Emmanuel: E então naquela noite? Conte-nos!
Maria: Oh, vi que era um estranho. Andava lentamente. Perguntei-lhe com tom severo: Como entraste aqui? Que coisa perdeste? Mas ele continuava a caminhar como se nada tivesse escutado. Então eu lhe perguntei de novo: “Que fazes tu?!...”. Mas como ele continuava a não me responder, me levantei de um salto para segurá-lo, e toquei no nada... o homem havia desaparecido... Então tornei à cama e de novo comecei a senti-lo andando. Perguntava-me por que via aquele homem, e por que não podia tocá-lo. Outra vez me levantei para segurá-lo e para fazê-lo parar de caminhar. Outra vez esbarrei no nada. Fiquei perplexa e tornei à cama. Ele não tornou novamente, mas naquela noite não consegui mais dormir. Pela manhã, depois da missa, fui encontrar-me com meu Diretor Espiritual e contei-lhe o que me acontecera. Ele me disse: “Se tudo acontecer uma outra vez, não perguntes: quem és. Mas pergunte, que coisa queres e desejas?”
Na noite seguinte o homem retornou.
Era o mesmo da noite passada, e eu lhe perguntei: “Que coisa queres de mim? “.
Ele me respondeu: “Manda celebrar três missas por mim e eu serei libertado”. Então compreendi que era uma alma do purgatório.
O meu Diretor Espiritual me confirmou.
Aconselhou-me a não rejeitar as almas do purgatório, mas de acolher com generosidade aos seus pedidos.
Ir. Emmanuel: E depois as visitas continuaram?
Maria: Sim, por alguns anos vinham três ou quatro almas, sobretudo no mês de novembro e em seguida vieram mais e mais.
Ir. Emmanuel:Que coisa te pedem essas almas?
Maria: Muitas vezes me pedem para celebrar missa por elas e a assisti-las; pedem para rezar o Santo Rosário e também a Via-Sacra em suas intenções.
QUE COISA É O PURGATÓRIO
Sobre este ponto nos fazemos uma pergunta, a pergunta fundamental: Que coisa é exatamente o purgatório?
Posso dizer que é uma invenção genial da parte de Deus. E aqui eu queria propor-vos uma imagem que vem a mim.
Suponhamos que um dia se abra uma porta e que apareça um ser extraordinariamente belo, de uma beleza tal que não haveis jamais visto sobre a terra. Ficaríeis fascinados, atônitos por esse ser de luz e de beleza, tanto mais que Ele demonstra ser totalmente enamorado de vós (coisa que não haveis mais imaginado); Lembrai-vos, também, que Ele tem um grande desejo de atrair-vos a si, de abraçar-vos; e o fogo do amor que queima já no vosso coração vos faz certamente precipitar-vos entre os seus braços. Mas eis que vos dai conta, neste momento, que não sois lavados há meses, que tendes um mal cheiro, que vos sentis horrivelmente feios; tendes os cabelos em desalinho, horríveis manchas sobre os vossos vestidos etc ... etc... Então vós mesmos direis: “Não, não é possível que eu me apresente neste estado! É preciso que eu primeiro vá me lavar, tome um banho e depois tornarei a vê-lo! ... “.
Mas eis que o amor que nasceu nos vossos corações é tão intenso, tão forte, tão ardente, que essa demora devido ao banho é absolutamente insuportável, e a mesma essência da dor, também dura só por poucos minutos, é um ardor atroz no coração. E certamente esse ardor é proporcional à intensidade da revelação do amor: é uma chama de amor...
O purgatório é exatamente isto. É um retardamento imposto às nossas, imperfeições, uma demora antes do abraço de Deus, uma chama de amor que faz sofrer terrivelmente; uma espera, uma nostalgia de Deus e do seu amor. É precisamente esta chama de amor que queima e purifica tudo aquilo que é impuro em nós. Ousaria dizer que o purgatório é um lugar de desejo, desejo de Deus. Na prática o purgatório é uma grande crise, uma crise que nasce da falta de Deus.
Mas sobre isto eu pedi a Maria para ser precisa neste ponto fundamental:
Ir. Emmanuel: Maria, as almas do purgatório experimentam alegria e esperança em meio aos seus sofrimentos?
Maria: Sim, nenhuma alma quer voltar do purgatório para a terra, porque essas já têm o conhecimento de Deus infinitamente superior ao nosso e não querem mais retornar às trevas deste mundo.
Eis, então, a grande diferença entre o sofrimento do purgatório e o da terra: no purgatório, também, se a dor da alma é terrível, a certeza que se tem de viver com Deus é assim tão forte e incontrolável que a alegria desta certeza ultrapassa a dor; e por nada no mundo aquelas almas desejam tornar a viver sobre a terra onde, no fim das contas não se tem mais segurança de nada.
Ir. Emmanuel: Maria, agora tu poderias nos dizer se é Deus quem manda uma alma ao purgatório ou se, ao invés, são elas mesmas que decidem ir para lá?
Maria: São elas mesmas que decidem ir para purgatório para se purificarem antes de entrar no paraíso.
Mas aqui é preciso dizer que as almas que se encontram no purgatório aderem perfeitamente a vontade de Deus; por exemplo; se compadecem e desejam o nosso bem; sentem muito amor por Deus e por nós, que ainda estamos sobre a terra. Estas almas estão perfeitamente unidas ao Espírito de Deus, ou se desejam a luz de Deus.
Ir. Emmanuel: Maria, no momento da morte se vê Deus em plena luz ou de maneira confusa?
Maria: Ainda de uma maneira confusa, mas mesmo assim é com tanta clareza que basta certamente para sentir saudades de Deus.
Certo, é uma luz resplandecente, em confronto com as trevas deste mundo; mas é no purgatório, onde a alma tem a luz do conhecimento do céu. Do resto, a tal respeito, podemos fazer uma reflexão com a experiência de que se fala o livro – A vida, outra vida: para muitas daquelas pessoas que, de um estado de pré-morte (pré-coma, ataque cardíaco e outros), viram qualquer coisa do outro lado, e ficaram fascinados por aquela luz, era uma verdadeira agonia retornar à comum existência sobre a terra, depois daquela experiência.
NOSSA SENHORA E O PURGATÓRIO
Ir. Emmanuel: Maria, podes nos dizer qual o papel de Nossa Senhora com respeito às almas do purgatório?
Maria: Sim, Ela vem, muitas vezes, consolar as almas, dizendo que elas fizeram bem tantas coisas e as encoraja.
Ir. Emmanuel: Existem dias particulares nos quais Nossa Senhora liberta essas almas?
Maria: Sim, sobretudo nos dias de Natal, dia de Todos os Santos, às sextas-feiras santas e também na festa da Assunção e da Ascensão de Jesus.
PORQUE O PURGATÓRIO
Ir. Emmanuel: Maria, por que se vai ao purgatório? Quais são os pecados que fazem com que as almas vão para lá com mais freqüência?
Maria: São os pecados contra a caridade, contra o amor ao próximo, a dureza de coração, a hostilidade, a calúnia, sim, todas essas coisas... porém, a maledicência e a calúnia são as mais graves, que necessitam de uma longa purificação.
Maria, a tal propósito, nos conta um exemplo que lhe tocou muito, e é um testemunho que vos quero recontar. Trata-se de um homem e de uma mulher dos quais a família havia pedido informações, se estavam no purgatório.
Para grande alegria daqueles que haviam pedido, a mulher já estava no paraíso e o homem no purgatório. Mas, na realidade, aquela mulher morrera depois de haver feito um aborto, e o homem andava muito na Igreja e levava uma vida com aparência digna e piedosa. Os dois morreram coincidentemente, contemporaneamente, porém, a mulher havia se arrependido sinceramente de tudo o que havia feito, ela fora muito humilde e o homem, ao contrário, mesmo sendo muito religioso, criticava tudo e todos, estava sempre a lamentar-se , e a falar mal das pessoas e criticá-las. Eis porque o seu purgatório foi muito longo. Por isso eu concluí: “não devemos julgar segundo as aparências”. Outros pecados contra a caridade são certamente todas as nossas repulsas por certas pessoas que não amamos, nossa resistência em fazer as pazes, a falta de perdão e todos os rancores que guardamos no coração.
Maria nos revelou um testemunho que nos faz refletir. É a história de uma pessoa que ela conhecia muito bem. Esta pessoa morreu. Era uma mulher e se encontrava no purgatório mais terrível, com sofrimentos verdadeiramente terríveis. E quando esta veio a Maria Simma, Maria lhe perguntou o porquê; e esta alma lhe disse: “foi porque eu tive uma amiga, sim, uma amiga com a qual tinha uma inimizade muito grande; e esta inimizade foi causada por ela mesma e ela conservou este rancor por anos e anos; e quando a sua amiga vinha pedir para fazer as pazes com ela, reconciliar-se, todas as vezes ela negou; e quando caiu gravemente doente, continuou com o coração fechado, negando reconciliar-se com a sua amiga; e no leito da morte aquela sua amiga veio suplicar-lhe para fazer as pazes, mas também sobre o leito da morte ela havia negado. E eis o motivo por que agora se encontrava no purgatório extremamente doloroso e por isto veio a pedir ajuda a Maria Simma. Este testemunho é muito significativo sobre a gravidade de guardar rancor. Devemos guardar as palavras, não criticar, não dizer palavras malévolas que podem verdadeiramente matar, ao contrário de uma palavra boa que pode curar.
COMO EVITAR O PURGATÓRIO
Ir. Emmanuel: Maria, pode-nos dizer quais são aquelas que têm maior possibilidade de ir ao paraíso?
Maria: São aquelas que têm o coração bom. Um coração bom para com todos. A caridade cobre uma multidão de pecados. Sim, é São Paulo quem nos diz.
Ir. Emmanuela: E quais são os meios que nós podemos ter aqui na terra para evitar o purgatório e ir diretamente ao céu?
Maria: Devemos fazer muito pelas almas do purgatório, porque são essas que nos ajudam sempre. É preciso ter muita humildade. É esta a maior arma contra o malígno. A humildade elimina o mal.
Sobre este ponto não resisto ao desejo de contar-lhes um belíssimo testemunho do Padre Berlioux (que escreveu um maravilhoso livro sobre as almas do purgatório); e ele nos fala da ajuda oferecida por essas almas àqueles que as ajudam com suas orações e sacrifícios; ”uma pessoa particularmente amiga das almas do purgatório havia consagrado a própria vida em sufrágio das mesmas, e chegando a hora da morte, ela foi assaltada com furor pelo demônio e esse queria fazer-lhe medo. Era como se todo o inferno estivesse encolerizado contra ela e a circundasse com a sua corte infernal. Essa pobre alma lutava há muito tempo com um esforço muito penoso, querendo livrar-se da presença do maligno, quando, de repente viu entrar em seu apartamento uma multidão de pessoas desconhecidas, mas resplandecentes de beleza, colocando em fuga o demônio e chegando vizinho ao seu leito, lhe disseram palavras de encorajamento e de consolo todo celestial. Emitindo um profundo suspiro e plena de alegria, gritou: quem são vocês que estão me fazendo tanto bem? E aqueles bons visitantes responderam: - nós somos habitantes do céu que com a tua ajuda fomos conduzidos às bem-aventuranças, e por gratidão e reconhecimento viemos te ajudar a desapegar-te desse lugar de angústia e te introduzir na alegria da Cidade Santa. Com estas palavras, um sorriso resplandeceu no rosto da moribunda. Os seus olhos se fecharam e ela adormeceu na paz do Senhor. A sua alma, pura como uma pomba, apresentou-se ao Senhor dos senhores, encontrou tantos protetores e advogados que ela havia libertado com suas orações e sacrifícios. No céu, entrou triunfante entre aplausos e bênçãos de todos aqueles a quem havia libertado do purgatório. Possamos nós um dia termos esta graça! Sabemos agora que estas almas libertadas do purgatório através de nossa oração são extremamente reconhecidas e gratas. Eu vos aconselho vivamente a fazerem esta experiência e estes vos ajudarão, pois conhecem os nossos desejos e nos obtêm muitas graças.
Ir. Emmanuel: Agora, Maria, lembro-me do bom ladrão, justo aquele que estava junto a Jesus na cruz, e gostaria muito de saber que coisa fez ele para que Jesus lhe prometesse que naquele mesmo dia estaria com ele no paraíso?
Maria: Ele aceitou humildemente o seu sofrimento dizendo que era justo e encorajou o outro ladrão a aceitar também. Ele tinha o temor a Deus, isto é, tinha humildade.
Um outro belo exemplo contado por Maria Simma demonstra como um gesto de bondade pode resgatar, em pouquíssimo tempo uma vida de pecado.
Escutemos as próprias palavras de Maria:
" Sim, conheci um jovem que tinha vinte anos. Habitava um lugarejo vizinho ao meu. Este lugar foi duramente castigado por avalanches que mataram um grande número de pessoas. Uma tarde quando esse jovem se encontrava na casa de seus pais, aconteceu que, inesperadamente, veio um desabamento terrível vizinho à sua casa. Ele ouvindo gritos de desespero e terror que clamavam por socorro e ajuda, ele se levantou e foi prestar ajuda àquelas pessoas. Mas eis que sua mãe, que ouvira também os gritos, quis impedi-lo de passar. E fechando a porta da casa, disse: “Não! Os outros irão socorrê-los, não nós! É muito perigoso aí fora. Não quero que seja um morto a mais”. Mas o jovem, comovido pelos gritos daquela gente e querendo socorrê-los, disse à sua mãe: “sim, eu vou! Não quero deixá-los morrer assim!” E saiu. Mas eis que ele também, ao sair, foi soterrado pela avalanche e morreu. Dois dias depois de sua morte, ele veio visitar-me durante a noite e disse-me: “Manda celebrar três missas por mim e serei libertado do purgatório.” Alguns de seus amigos disseram que não queriam ser ele no momento da morte, pois esse jovem havia cometido muitas coisas ruins. Mas aquele jovem, em seguida, me declarou: “Eu fiz um grande ato de amor colocando em risco a minha vida por aquelas pessoas e foi graças a isso que o Senhor me acolheu assim tão depressa no céu, sim, a caridade cobre multidão de pecados”.
Neste episódio se vê como um só ato de amor desinteressado foi suficiente para purificar este jovem de uma vida vivida no pecado; e o Senhor aproveitou este momento de amor para chamá-lo a si. Maria, de fato, nos disse que se esse jovem jamais na sua vida tivesse ocasião de fazer um ato de amor assim tão forte, talvez tivesse se tornado um homem malvado. E o Senhor, na sua infinita misericórdia, o chamou a si exatamente no melhor momento, no momento mais puro por causa daquele ato de amor.
É muito importante, quando se está à beira da morte, abandonar-se à vontade do Senhor.
Maria também nos conta um caso muito belo de uma mãe de quatro filhos que estava para morrer. Em vez de se revoltar e de se inquietar, ela disse ao Senhor: “Eu aceito a morte no momento em que Tu a queiras e coloco a minha vida em Tuas mãos. Entrego-te os meus filhos e sei que Tu, Senhor, tomarás conta deles”. E Maria nos diz que pelo motivo dessa imensa confiança em Deus, aquela mulher foi diretamente ao céu sem passar pelo purgatório. Podemos dizer que o amor, a humildade, e o abandono em Deus são as três chaves de ouro que nos fazem entrar diretamente no paraíso.

