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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Como dissimular a falsidade sob um manto de verdade (sobre Amoris Laetitia)

THE REMNANT

Como dissimular a falsidade sob um manto de verdade (sobre Amoris Laetitia)



15/05/17 12:01 AM por THE REMNANT

Nota do Editor: o Padre Guy Castelain é capelão de Marie Reine des Coeurs (Nossa Senhora Rainha dos Corações) Confraternidade da França que transmite a Verdadeira Devoção a Maria segundo São Luís Maria Grignon De Montfort. Este artigo foi publicado na edição de abril de 2017 do boletim da Confraternidade (#144, abril 2017). Uma vez mais,  pedimos que orem por nosso fiel tradutor destas importantes contribuições provenientes da Europa. MJM

Em 19 de março de 2016 publicou-se a exortação apostólica pós-sinodal do Papa Francisco, Amoris Laetitia, sobre o amor na família. Por que falar deste documento pontifício em uma publicação dedicada à espiritualidade de São Luís Maria Grignon de Montfort? Porque o Padre Guy Castelain lança uma luz singular sobre a problemática projetada neste documento.

Antes de mais nada, uma recordação. O leitmotif do impulso do Concílio Vaticano Segundo foi a atualização ou, em latim, accomodatio renovata, ou seja, abertura e adaptação ao mundo moderno. Paulo VI explicou o significado deste termo no discurso de abertura da segunda sessão (1963): “para que o depósito da doutrina cristã se conserve e exponha de um modo mais eficaz” e que a doutrina “se investigue e se exponha da maneira que requerem nossos tempos”. Em poucas palavras, se tratava então de enlaçar a doutrina católica com o ateísmo, o evolucionismo, o modernismo, o liberalismo e a e do mundo moderno. E  aqui jaz o problema principal: como expressar a revelação divina, ou seja, a fé e a moral católicas, utilizando o pensamento do mundo atual? Estritamente falando, é como querer encontrar o quadrado de um círculo.

Agora, utilizando uma terminologia mais própria de São Luís Maria Grignon de Montfort, o problema do Concílio Vaticano Segundo foi querer unir a sabedoria divina com o mundo. São Luís Maria Grignon de Monfort trabalhou sobre isto em Amor à Sabedoria Eterna, nos números de 74 a 89. São Luís Maria de Montfort explica que o mundo “utiliza tão finamente a verdade para inspirar o engano, a virtude para autorizar o pecado, as máximas de Jesus para justificar as suas” (número 79).

São Luís Maria também assinala que a sabedoria mundana “está completamente de acordo com as máximas e modas do mundo… não de um modo grosseiro e provocador, cometendo algum pecado escandaloso, mas de uma maneira solapada, astuta e política, pois de outro modo não seria sabedoria segundo o mundo, mas sim   libertinagem” (número 75).

Finalmente, define a pessoa mundana como alguém que “trata de harmonizar a verdade com a mentira, o Evangelho com o mundo, a virtude com o pecado” (número 76). Aqui, São Luís está descrevendo o catolicismo liberal (que conseguiu triunfar com o Vaticano II e suas reformas) cem anos antes de sua existência (século XIX).

O que é que Amoris Laetitia contém? Uma recordação da doutrina sobre a indissolubilidade do matrimônio (nos números 52-53, 62, 77, 86, 123 e 178) e, ao mesmo tempo, afirmações que outorgam aos divorciados que tornaram a casar a possibilidade de aceder aos sacramentos, ou seja a confissão e a comunhão, sem conversão, sem contrição, sem reparação pelo escândalo, sem deixar de viver em adultério e sem abandonar seu pecado (nos números 243, 298-299, 301-305 e especialmente a nota do rodapé 351).

Para se convencer  disso, o leitor pode se referir  a duas publicações de fácil acesso: DICI Número 345, de 25 de novembro de 2016, e Le Courrier de Rome Número 595, de janeiro de 2017.

São Luís de Montfort, com seu olho de lince, viu a cruz do problema que atualmente rouba nossa atenção: a sabedoria Conciliar consiste em disfarçar a falsidade com um manto de verdade, e o vício com o da virtude. Portanto, Amoris Laetitia autoriza o sacrilégio sob o pretexto de ser pastoral. Digamos de passagem que há uma grande probabilidade de que o sínodo 2018 realize o mesmo truque com o celibato eclesiástico, para permitir a ordenação sacerdotal de homens casados.

São Luís de Montfort era um homem verdadeiramente adiantado em seu tempo. É porque ele se agarrava à doutrina católica, a do Concílio de Trento, que por sua vez reitera a de São Tomás de Aquino. Com efeito, a história nos ensena que durante este Concílio se colocaram dois livros sobre o altar: a Biblia ou Sagrada Escritura (tradição escrita) e a Summa Theologica de São Tomás de Aquino (representando a tradição oral).

E naqueles dias, essa doutrina católica não se expressava com a ajuda de uma filosofia ateia contraposta à fé católica, mas com a ajuda de uma sã filosofia Aristotélica-Tomista, conhecida como Philosophia Perennis, e que é a “serva” da Teologia (São Tomás de Aquino).

Padre Guy Castelain, FSSPX

https://adelantelafe.com/disimular-la-falsedad-manto-verdad-amoris-laetitia/

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